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SINDICATO DOS ÁRBITROS DE FUTEBOL DO ESTADO DE SÃO PAULO |
O Árbitro, um Simples Bode Expiatório
28/04/2008
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Amigos, a expressão “bode expiatório” se originou do
fato de que os judeus na Antigüidade sacrificavam um cordeiro a Deus, como
ação simbólica da expiação de suas culpas. Na sabedoria popular, brincava-se
de que quando não se tinha um carneiro para tal rito, o fazia com um bode. E
sem ter culpa alguma, o pobre animal era sacrificado em lugar do verdadeiro
“interessado”. Assim, surgiu a referência “bode expiatório” para alguém que
sofre as conseqüências de uma culpa que não lhe pertença. No futebol, muitos
bodes expiatórios surgem! Rodada a rodada (ou jogo a jogo), busca-se a
isenção de culpas e transferências de responsabilidades. Ora uma atuação do
goleiro, ora o gramado, a chuva, a altitude... mas corriqueiramente, o
árbitro! Sem poder defender-se contra as línguas afiadas de alguns
pseudo-desportistas (aqueles que se dizem ligados ao esporte mas não o
encaram verdadeiramente como esporte – pois não sabem perder), o árbitro
acaba sendo o culpado até mesmo antes do “acontecido acontecer”.
Tal observação surge devido a leitura de uma obra (Dança dos Deuses, de Hilário Franco Júnior, já |
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Foto montagem para ilustração |
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citado aqui), durante uma viagem para a arbitragem de um jogo pela A3, acompanhado pelos colegas árbitros Eduardo de Jesus Conceição, Claudosn Lincoln Beggiato e Vinícius Furlan, além do sempre atento amigo motorista Misael. E pelo interesse comum que temos para com a arbitragem de futebol, compartilho tal texto para apreciação:
“Em cada partida de
futebol, o bode expiatório é (...) colocado como o árbitro. No Brasil,
sintomaticamente, os árbitros não entram em campo junto com os times, como
na Europa. Eles são expostos às manifestações do publico antes de a partida
começar, atraindo parte da energia destrutiva que a multidão possui.
Enquanto símbolo de autoridade, são identificados com governos autoritários
ou corruptos, freqüentes na nossa história, e de maneira sistemática são
agredidos verbalmente pelas torcidas antes de mesmo de começar a trabalhar.
De um ponto de vista sociológico, é como partir do pressuposto de que
todo árbitro é corrupto. De um ponto de vista antropológico, é como
se seu sacrifício prévio garantisse a tranqüilidade do rito posterior.”
Fonte: Texto enviado por: Rafael Porcari |
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