Para dirigente do Flamengo, árbitros estão de triciclo, e jogadores de Ferrari

Isaías Tinoco vê falta de evolução na preparação dos juízes, mas critica excesso de reclamação dos técnicos

12/11/2008

Gerente de futebol do Flamengo, Isaías Tinoco raramente dá entrevistas. Prefere a discrição a envolver-se nas polêmicas corriqueiras do futebol. Quando questionado sobre determinado assunto, recorre às respostas curtas e diretas. Nesta quarta-feira, porém, foi diferente.

Ao ver o noticiário tomado por polêmicas sobre arbitragem, resolveu dar sua opinião. Livrou a Comissão Nacional de Arbitragem das críticas, criticou o choro excessivo de treinadores e atacou o ponto que considera principal: a preparação dos árbitros precisa mudar. Confira a entrevista de Isaías:

GLOBOESPORTE.COM: O que você achou da classificação do Brasileiro sem os erros de arbitragem?

Isaías Tinoco: Eu vi e não gostei. Isso dá margem para muito choro. Cria-se um folclore enorme e os treinadores vão na onda e reclamam muito. Eles (técnicos) não levantam a bandeira mais importante, que é a da preparação dos árbitros.

O técnico do Grêmio, Celso Roth, ironizou e classificou como coincidência os constantes erros a favor do São Paulo...

Ah, eu também acho coincidência o Grêmio ter vários jogadores pendurados por diversas rodadas e nenhum ser suspenso. Enquanto isso, o Sambueza foi agredido pelo jogador do Botafogo e recebeu o terceiro cartão amarelo.

Então há problemas com os árbitros?

O trabalho da Comissão Nacional é ótimo. Mas a arbitragem no Brasil continua a mesma desde os tempos de Charles Miller e os atletas são preparados como astronautas. Eles (árbitros) estão de triciclo e os jogadores de Ferrari. Isso acarreta muitos problemas. A falta de preparo dos juízes provoca prejuízos de milhões e milhões de dólares.

E qual seria a solução?

Profissionalizá-los. Pela minha experiência, vejo que muitos erros acontecem na parte final do jogo, quando os árbitros estão cansados. Há uma estafa normal. Eles se preparam sozinhos e um time tem até 18 pessoas numa comissão técnica. O futebol evoluiu muito e os juízes ainda não.

Acredita em erros propositais?

Os árbitros não são burros de se prejudicarem de propósito. Hoje em dia há dezenas de câmeras nestes jogos da Série A e eles só têm dois olhos. A exposição é muito grande. Em partidas de Série C, Segunda Divisão do Carioca até acredito que possa existir isso.

Fonte: Eduardo Peixoto - GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro

 

 


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