SINDICATO DOS ÁRBITROS DE FUTEBOL 

DO ESTADO DE SÃO PAULO

Grifo nosso: Abaixo um estudo feito por Vanessa Bellissimo e publicada na Folha de São Paulo recentemente. Apesar do respeito ao estudo, perguntamos se a pesquisa considerou o número de faltas cometidas nos jogos estudados, se levou em consideração o sistema tático, haja vista que o visitante, na maioria das vezes, joga no contra-ataque, portanto defendendo-se as jogadas são paralisadas com faltas... Parabenizamos a pesquisa e conclamamos outros quanto ao número de decisões dos árbitros; o número de acertos e erros de árbitros e, principalmente dos jogadores...

Árbitros são "caseiros" no Brasil, diz estudo

Tese de mestrado analisou cartões dados em 2.352 jogos

17/04/2008

MAURÍCIO SIMIONATO - DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Árbitros de futebol aplicam mais cartões contra jogadores de times visitantes e são mais tolerantes com atletas de times que jogam em casa. A tese do "apito caseiro", que sempre foi alvo de suspeita de torcedores, jogadores e dirigentes, agora ganhou fundamento científico.

Dissertação de mestrado defendida por Vanessa Bellissimo na Faculdade de Educação Física da Unicamp analisou 2.352 partidas dos campeonatos Paulista e Brasileiro da Série A, entre 2003 a 2006. O resultado mostrou que os mandantes receberam cerca de 4.700 cartões, enquanto os visitantes, aproximadamente 7.100.

O estudo apontou ainda que o time mandante recebeu, em média, um cartão vermelho a cada cinco jogos. Para os visitantes, as expulsões foram bem mais freqüentes -ocorreram uma vez a cada três partidas.

A pesquisadora utilizou dados de sites, revistas e jornais esportivos - ignorando as súmulas dos jogos, que são públicas. "Em todos os anos, nos dois campeonatos analisados conjunta ou isoladamente, os visitantes receberam mais cartões amarelos e vermelhos e venceram menos partidas, com uma grande diferença", afirmou.

Nas 2.352 partidas pesquisadas, os visitantes venceram apenas 592 (25%) e foram derrotados em 1.191 (50%). Os demais 569 jogos (24%) terminaram empatados.

Jogadores dos times da casa foram advertidos, em média, com dois cartões amarelos por partida - menos advertências que os visitantes, que receberam três por confronto.

Vanessa Bellissimo ainda associou o número de cartões amarelos com o placar das partidas. "Tanto o mandante como o visitante receberam menos cartões quando venceram seus jogos. Independentemente dos resultados, os mandantes sempre receberam menos cartões."

Entre os duelos analisados está o da 40ª (antepenúltima) rodada do Brasileiro-2005, entre Corinthians e Internacional, no qual o time paulista foi mandante no Pacaembu.

A partida, decisiva, ficou empatada em 1 a 1. Com isso, o Corinthians manteve a diferença de três pontos para o vice-líder Inter e se consagrou tetracampeão brasileiro na última rodada. No jogo, o time visitante recebeu um cartão vermelho e dois amarelos, e o mandante, apenas um cartão amarelo.

Na ocasião, o árbitro Márcio Rezende de Freitas deixou de marcar um pênalti para o time gaúcho e ainda expulsou Tinga, entendendo que o meio-campista simulara falta na área.

"Não analisei os times pelo seus nomes. Para mim, eram apenas mandantes e não-mandantes. Prefiro não especular", disse a pesquisadora, que agora quer aprofundar os estudos.

Para o professor Antônio Carlos de Moraes, orientador da pesquisa, o estudo é pioneiro no país ao abordar a arbitragem desse ponto de vista.

A Folha procurou a Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol para que alguém comentasse o estudo, mas a assessoria da entidade informou que nenhum árbitro o faria.

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) também foi procurada, por meio de sua assessoria de imprensa, mas preferiu não comentar o estudo.


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