SINDICATO DOS ÁRBITROS DE FUTEBOL 

DO ESTADO DE SÃO PAULO

Com Luxa e parceria, Palmeiras fecha as portas para a base

Diferentemente dos anos anteriores, clube alviverde reduz espaço para os pratas da casa e prefere apostar em atletas desconhecidos vinculados à Traffic

12h20 05/09/2008

SÃO PAULO - Na época de vacas-magras, os clubes brasileiros normalmente recorrem às categorias de base. E com o Palmeiras não foi diferente.

Após o término da parceria com a Parmalat, multinacional italiana que recheou o clube de estrelas na década de 90, o time paulista passou a olhar com mais carinho para a sua fonte de revelações. Descobriu alguns talentos, como o atacante Vágner Love, que despontou em 2003 e foi negociado para o futebol europeu em 2004.

O lateral-direito Ilsinho é outro exemplo, porém saiu pelas portas do fundo, e o São Paulo o contratou para depois vendê-lo ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.

Nos últimos anos, o Palmeiras, sem dinheiro para grandes investimentos, buscou soluções no time B, cujo projeto é trazer atletas de equipes pequenas e dar espaço a quem se destaca nos juniores. Nessa aposta, os meias Michael e Caio fizeram um bom papel e renderam uma quantia considerável aos cofres alviverdes.

"São iniciativas que se complementam: trazer de fora e revelar na base. Na atual conjuntura do futebol, com a Lei Pelé, não existe outra solução que não seja investir em jovens promessas",

declarou o vice-presidente de futebol Gilberto Cipullo, em julho de 2007.

Entretanto, em campo os resultados não foram satisfatórios e, neste ano, a política mudou. Com a chegada do técnico Vanderlei Luxemburgo e a parceria com a empresa de marketing esportivo Traffic, os times da base ficaram de lado.

O próprio treinador admite. "Tenho assistido a alguns jogos, e vi alguns jogadores, como o Souza. Tenho acompanhado, mas não estou totalmente por dentro, porque acho que tem que haver um projeto. É um projeto do clube, sentar com todos da base e conversar. Não é pra eu fazer sozinho", argumenta Luxemburgo.

Apenas um jogador revelado na Academia de Futebol da Barra Funda teve oportunidade em 2008: o zagueiro Maurício. Ele se juntou a David e aos goleiros Marcos, Bruno e Deola para formar, no elenco profissional, o restrito grupo dos criados no clube.

Atletas caros foram adquiridos pela Traffic, como o meia-atacante Diego Souza e o zagueiro Henrique. Além disso, a parceira colocou na equipe alviverde jovens desconhecidos, como o lateral-esquerdo Jefferson e os volantes Jumar e Sandro Silva, que têm sido aproveitados por Luxemburgo. Os dois últimos realizaram boas partidas durante o Campeonato Brasileiro.

Todos esses jogadores citados são vinculados ao Desportivo Brasil Participações Ltda, clube 'laranja' da Traffic. Ou seja, pertencem a essa equipe, segundo a CBF, e estão emprestados ao Palmeiras. A situação também vale para o zagueiro Gustavo, o meia-atacante Maicosuel e o atacante Lenny, além dos desconhecidos Moacir e Jonathan.

Na prática, o time alviverde ficou mais forte: conquistou o Campeonato Paulista e ocupa a terceira colocação no Brasileirão. Entretanto, nas negociações dos jogadores fica com apenas 20% do valor, como no caso de Henrique, vendido ao Barcelona.

No Santos, em 2006, Luxemburgo indicou muitos atletas desconhecidos do Iraty, time do Paraná - Cléber Santana foi o único a vingar. No Palmeiras, o atacante Thiago Cunha, que é acusado de ser um 'ex-gato' - teria alterado seu nome e idade para atuar no passado - foi contratado recentemente junto ao mesmo Iraty.

Fonte: Carlos Padeiro e Fernando Narazaki, especial para o Pelé.Net


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